O relatório “Education at a Glance 2026” (EaG), publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sob a coordenação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apresenta dados cruciais sobre a educação ao redor do mundo, com foco específico no Brasil. Lançado em 29 de setembro de 2026, o documento trouxe à tona uma série de informações relevantes que refletem o estado atual da escolaridade e investimentos em educação no país. Neste artigo, discutiremos, de maneira ampla e acessível, os destaques desse relatório, com ênfase na evolução da educação brasileira ao longo dos últimos anos, as políticas implementadas para melhorar a situação dos jovens no país e os desafios que ainda persistem nesse cenário tão vital para o futuro do Brasil.
Education at a Glance 2026 reúne dados sobre escolaridade e investimento em educação — Ministério da Educação
O relatório “Education at a Glance 2026” trouxe à luz um tema extremamente relevante: a redução dos índices de jovens que não estudam, não trabalham e não possuem formação, conhecidos como NEET. Entre 2016 e 2024, houve uma significativa diminuição desse indicador, que caiu de 26,8% para 22,4%, o que representa uma redução de 4,4 pontos percentuais. Essa tendência é animadora, pois o Brasil está apresentando uma redução quase duas vezes maior do que a média registrada pelos países da OCDE, que foi de apenas 2,3 pontos durante o mesmo período. Esses resultados podem ser atribuídos a uma combinação de políticas educacionais e sociais voltadas para a inclusão e a formação dos jovens.
Além disso, o relatório destaca a importância de programas como o Piso de Acompanhamento e Bolsa Família, que visam garantir que os jovens tenham acesso a uma educação de qualidade e estejam motivados a completar seus estudos. O aumento das taxas de conclusão do ensino médio é, sem dúvida, um passo significativo para o desenvolvimento do capital humano no Brasil. Entre 2016 e 2024, a proporção de jovens na faixa etária de 25 a 34 anos com escolaridade abaixo do ensino médio caiu de forma acentuada, passando de 35% para 25,8%. Ao mesmo tempo, a parcela da população jovem com educação superior aumentou de 19,2% para 24,2%. Esses números reforçam a ideia de que, quando o governo investe em ações efetivas, os resultados aparecem.
Apesar das conquistas, ainda existem desafios a serem enfrentados. O percentual de brasileiros entre 25 e 64 anos com ensino médio como maior nível de escolaridade alcançou 39,6%, colocando o Brasil próximo à média da OCDE, que é de 38,7%. Contudo, há um déficit consciente no acesso à educação superior, com apenas 22,3% da população brasileira nessa faixa etária tendo alcançado esse nível, comparado a impressionantes 42,6% da média da OCDE. A realidade demonstra que, apesar dos avanços, a educação superior é um desafio que deve ser tratado com urgência e prioridade.
O financiamento da educação: desafios e avanços
O relatório “Education at a Glance 2026” também destaca o investimento em educação, um dos pilares fundamentais para a melhoria do sistema educacional. Em 2023, as despesas governamentais brasileiras em educação correspondiam a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um percentual ligeiramente superior à média dos países da OCDE, que é de 4%. No entanto, esse percentual apresenta uma queda em comparação com anos anteriores, quando em 2015, os gastos com educação no Brasil foram de 5,5% do PIB. Essa redução pode levantar preocupações sobre o futuro dos investimentos na educação, que é uma chave essencial para o desenvolvimento social e econômico do país.
O investimento em educação deve ser mantido e incrementado para garantir que as políticas educacionais possam ser implementadas com eficácia. Para que as metas de inclusão e formação sejam alcançadas, é fundamental que o governo federal mantenha um compromisso sólido com o financiamento educacional. A educação é um motor do desenvolvimento, e sua desvalorização pode resultar em consequências negativas para a sociedade.
A escassez de professores é um problema abrangente que afeta a qualidade do ensino, e o relatório da OCDE evidencia que o Brasil enfrenta essa realidade. Aproximadamente 9% dos professores não estão plenamente qualificados, cifra que está de acordo com a média da OCDE, que é de 9,1%. A falta de profissionais qualificados e motivados é um dos principais obstáculos que o Brasil deve superar. Nesse sentido, ações concretas estão sendo tomadas por meio do programa “Mais Professores para o Brasil”, que visa valorizar a carreira docente e atrair novos talentos para a profissão de professor.
Políticas para valorização dos educadores
Uma nova política pública foi estabelecida com o programa “Mais Professores para o Brasil”, que se tornou uma lei em 2026. Este programa visa valorizar a profissão docente e garantir que mais jovens considerem a docência uma carreira viável e gratificante. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou a importância dessas iniciativas, afirmando que é essencial atrair estudantes com desempenho notável nas licenciaturas, reformulando a formação inicial e promovendo um maior contato com a realidade das escolas.
Com o incentivo ao programa “Pé-de-Meia Licenciaturas”, a expectativa é que o número de matrículas de alunos de alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) cresça. Entre 2024 e 2026, o aumento foi de surpreendentes 106%. Essa movimentação pode trazer um novo fôlego para a educação no Brasil, reformulando a forma como a profissão docente é vista tanto por alunos quanto por suas famílias, e firmando um compromisso com o fortalecimento do ensino superior.
A valorização dos professores não se limita ao acompanhamento do desempenho, mas também à implementação de medidas que garantam ganhos reais ao piso salarial do magistério. Com isso, o Brasil inicia um ciclo promissor de valorização da educação. Essa reformulação é necessária para construir um ambiente educacional mais dinâmico, onde os professores se sintam respeitados e motivados a desempenhar suas funções.
Os desafios dos dados educacionais: refletindo sobre o futuro
O “Education at a Glance 2026” também levanta questões sobre a qualidade dos dados educacionais. O Inep, responsável pelo tratamento de dados e relatórios ao longo dos anos, tem se mostrado uma fonte confiável de informações. Entretanto, a busca por uma maior integração de dados educacionais é fundamental para que as políticas públicas sejam direcionadas de maneira mais eficaz. O Censo Escolar, o Censo da Educação Superior e as pesquisas domiciliares do IBGE são fontes valiosas, mas é imperativo que haja uma articulação mais eficiente entre esses dados para traçar um panorama real da situação educacional no Brasil.
A integração dos indicadores educacionais é necessária para uma análise mais profunda das realidades enfrentadas pelas escolas e estudantes. Garantir que as informações sejam compreendidas e utilizadas de forma prática é um passo essencial para que as políticas públicas se traduzam em melhorias concretas na educação.
Perguntas frequentes
O que é o relatório “Education at a Glance 2026”?
O relatório “Education at a Glance 2026” é uma publicação da OCDE que apresenta dados sobre os sistemas educacionais e permite a comparação entre diferentes países, incluindo o Brasil.Que informações o relatório traz sobre a taxa de jovens NEET no Brasil?
O relatório indica que a taxa de jovens que não estudam, não trabalham e não têm formação caiu de 26,8% em 2016 para 22,4% em 2024, mostrando uma tendência de melhoria.Qual é a situação da escolaridade da população entre 25 e 64 anos no Brasil?
Em 2024, 39,6% da população nessa faixa etária tinha o ensino médio como maior nível de escolaridade, próximo à média da OCDE.Como estão os investimentos em educação no Brasil comparados aos países da OCDE?
Em 2023, as despesas governamentais brasileiras em educação corresponderam a 4,5% do PIB, ligeiramente acima da média da OCDE, que é de 4%.Quais medidas estão sendo tomadas para valorizar os professores no Brasil?
O programa “Mais Professores para o Brasil” busca atrair novos talentos, valorizar a profissão e garantir que os docentes tenham condições de trabalho dignas e um salário justo.Como o Inep e a OCDE coletam dados para o relatório?
Os dados são coletados por meio de diversas fontes, incluindo Censo Escolar, Censo da Educação Superior e pesquisas domiciliares do IBGE, garantindo uma visão abrangente da educação no país.
Conclusão
O relatório “Education at a Glance 2026” revela um panorama multifacetado da educação no Brasil, evidenciando avanços significativos, mas também manifestações de desafios que ainda precisam ser enfrentados. A redução da taxa de jovens NEET, o aumento das taxas de conclusão do ensino médio e esforços para valorizar a profissão docente são passos importantes que o Brasil está dando em direção a um futuro mais promissor para sua educação. No entanto, o financiamento adequado e a qualificação de professores permanecem comoixos cruciais a serem abordados.
Com o comprometimento contínuo em implementar políticas efetivas e um foco em resultados tangíveis, é possível que o Brasil consolide sua posição entre as nações que mais investem em educação de qualidade. Education at a Glance 2026 se apresenta não apenas como um retrato atual da educação, mas também como um guia para as ações futuras que ajudarão a transformar a vida dos jovens brasileiros. O caminho para uma educação de excelência é desafiador, mas cada esforço vale a pena quando se busca um futuro melhor para todos.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

